E a força das vovós de Las Vegas
Na seção Somos do Mundo, espaço dedicado à comunidade de língua portuguesa, Joana Georges recebeu Marileide Avelino, idealizadora do grupo conhecido como Vovós de Las Vegas. Nordestina, nascida em Cuité, na Paraíba, Marileide construiu sua vida entre dois lugares que marcaram sua história: Recife, para onde foi ainda criança, e Las Vegas, onde vive há 18 anos e aprendeu a amar.
A conversa revelou uma trajetória simples, humana e cheia de significado. O grupo das vovós nasceu de um encontro simples, em um café da tarde entre amigas. Ao perceber que todas ali eram avós, Marileide enxergou algo maior: a possibilidade de criar encontros constantes, com temas, alegria e convivência. Em janeiro de 2027, o grupo completará dez anos de história.
O diferencial, segundo ela, está nos temas. A cada mês, as participantes se reúnem em torno de uma proposta: carnaval, países, datas especiais, Valentine’s Day ou qualquer motivo que permita celebrar a vida. O que poderia ser apenas uma reunião social tornou-se uma rede afetiva, cultural e solidária.
Vovós unidas: alegria que não envelhece
Marileide explica que o grupo recebe brasileiras a partir dos 50 anos. Muitas chegaram aos Estados Unidos para ajudar filhos e cuidar dos netos. Ela mesma veio para Las Vegas para cuidar das netas e afirma, com orgulho, que elas nunca tiveram babá: a babá foi a própria avó.
Mas as vovós não se limitam a esse papel. Elas também viajam, fazem voluntariado, participam de festas, apoiam causas sociais e levam animação por onde passam.
Ao longo dos anos, o grupo realizou ações de caridade, colaborou com instituições ligadas ao cuidado de pacientes com câncer e participou de eventos comunitários. Agora, as vovós se preparam para participar do carnaval em Las Vegas, a convite de Eunice Ferreira, reforçando que idade não impede alegria, presença nem movimento.
Para Marileide, a missão principal é combater a solidão, o estresse e a depressão que muitas mulheres enfrentam depois dos 50, 60, 70 ou 80 anos. O grupo mostra que a vida continua, mesmo para quem é viúva, divorciada, solteira ou casada. “Os sonhos não acabam”, resume.
Sua mensagem final é um chamado às mulheres: nunca é tarde para ser feliz. A vida passa rápido, e cada dia merece ser vivido com intensidade, amor e carinho. Essa é a bandeira das vovós: unir mulheres, criar memórias e provar que a felicidade também envelhece — mas não perde sua força.


