Maria Lúcia do Nascimento, psicóloga clínica brasileira do nordeste do Brasil
Na seção Somos do Mundo, espaço criado para que a comunidade de língua portuguesa encontre histórias em seu próprio idioma, recebemos Maria Lúcia do Nascimento, psicóloga clínica brasileira, nordestina, natural de Natal, no Rio Grande do Norte. Casada, mãe de três filhos e avó de um neto, ela traz uma trajetória marcada pela saúde, pela educação e pelo cuidado humano.
Antes da psicologia, Maria Lúcia formou-se em Enfermagem e Obstetrícia, especializou-se em saúde materno-infantil e saúde pública, e dedicou 31 anos ao ensino, como professora de Biologia, Ciências e Programas de Saúde. Também foi professora universitária. Com a aposentadoria, poderia ter parado. Mas sentiu que havia algo a realizar. Fez o Enem, entrou em Psicologia e encontrou uma nova missão.
Encontrando uma nova vocação
Hoje, atua como psicóloga clínica, tendo a Gestalt-terapia como base teórica. Também se formou em avaliação psicológica, neuropsicológica e plantão psicológico. Para ela, saúde e educação caminham juntas.
Durante a entrevista, Maria Lúcia falou sobre os mitos que cercam a terapia. Muitas pessoas acreditam que terapia “não adianta”, que é apenas uma conversa sem objetivo ou que só deve procurar ajuda quem está “fora da caixinha”. Essa visão reforça um estigma perigoso. A psicoterapia é uma escuta profissional, com técnicas e fundamentação científica.
Ela também explicou a diferença entre psicologia e psiquiatria. A psiquiatria é uma área da medicina voltada ao diagnóstico e ao tratamento medicamentoso dos desequilíbrios do cérebro. Já a psicologia estuda os processos mentais, o comportamento e a forma como cada pessoa se expressa.
Muito importante, quando buscar ajuda
Um dos alertas mais importantes deixados por Maria Lúcia é sobre o momento de procurar ajuda. Quando alguém não consegue colocar limites, sente angústia constante, tem dificuldade de dizer não ou permanece triste por mais de uma semana, é necessário buscar um profissional reconhecido. Para ela, sofrimento psíquico não é fraqueza.
Maria Lúcia destacou que vivemos em uma sociedade que cobra desempenho permanente, como se todos tivessem que estar bem o tempo inteiro. Por isso, admitir fragilidade se torna difícil. Familiares, amigos e colegas de trabalho precisam estar atentos aos sinais de sofrimento.
Ao falar sobre felicidade, fez uma distinção delicada: alegria são momentos; felicidade é uma construção diária, ligada à coerência entre aquilo que se acredita e aquilo que se vive. Para os jovens, deixou uma mensagem direta: estudem, descubram seus dons e não escolham caminhos apenas por pressão externa ou comparação nas redes sociais.
Ao final, Maria Lúcia convidou cada pessoa a olhar para dentro de si. Cuidar da aparência e da alimentação é importante, mas corpo e mente não podem ser separados. Cada dia pode ser uma oportunidade de recomeçar.
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