E a coragem de contar a própia história
Na seção Somos do Mundo, espaço dedicado à comunidade de língua portuguesa, Fátima Romero recebeu Joana Dark Georges para uma conversa sobre memória e sobrevivência. Brasileira nascida em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, Joana viveu parte da infância e da adolescência em Natal. Aos 11 anos, começou a trabalhar em um estúdio fotográfico. Mais tarde, passou por um escritório de contabilidade, ingressou na universidade e construiu trajetória ligada à biologia.
Durante anos, Joana atuou como professora e pesquisadora. Estudou algas, passou pelo Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, trabalhou com clonagem de plantas, fisiologia vegetal e se especializou em camarões. Nos Estados Unidos, mudou de caminho profissional e passou a se dedicar às terapias holísticas, com reiki, theta healing e acupuntura auricular.
Na entrevista, o centro da conversa foi o lançamento de seu livro A Sobrevivente. A obra nasceu de uma atividade escolar em uma aula de inglês, quando Joana precisou escrever uma pequena biografia. O exercício abriu espaço para algo maior: contar a própria vida, especialmente a experiência de um relacionamento abusivo que marcou sua história.
Um conselho simples: manter um diário
Joana afirma que escrever não foi difícil, porque relatava aquilo que havia vivido. O desafio veio depois: editar e preparar o material para publicação. Com apoio editorial, o livro foi lançado em português e está disponível na Amazon e em formato digital. A autora também planeja levar sua história a inglês, espanhol, francês, italiano e grego.
Para quem deseja escrever sobre a própria vida, Joana deixa um conselho simples: manter um diário, anotar acontecimentos relevantes e persistir. Segundo ela, escrever uma página por dia pode ser o início de um livro.
A conversa trouxe uma mensagem importante para mulheres que vivem ou viveram abuso: procurar ajuda psicológica, reunir evidências, falar com as autoridades e não permanecer em silêncio. Joana lembra que pessoas abusivas costumam inverter a narrativa e se apresentar como vítimas. Por isso, calma, estratégia e apoio são fundamentais.
Sua história é dura, mas aponta para reconstrução. Joana diz que manteve a fé, repetia o Salmo 23 e acredita que essa força espiritual a ajudou a sobreviver. A Sobrevivente nasce como relato, alerta e convite para que outras vozes também tenham coragem de falar.


