E o samba que atravessa fonteiras
Na seção Somos do Mundo, Fátima Romero recebeu Raphael, músico, compositor e fundador do Samba Las Vegas, para uma conversa marcada por memória, ritmo e identidade brasileira. Nascido em São Paulo, Raphael contou que a música entrou cedo em sua vida por influência do irmão, ligado ao heavy metal. O samba, porém, chegou de outra forma: quando um amigo sofreu um acidente, o grupo comprou instrumentos para animá-lo. Daquela tentativa improvisada nasceu uma paixão que mudaria seu caminho.
Ao longo dos anos, Raphael construiu uma trajetória sólida nas escolas de samba de São Paulo. Passou pela Lava Pés, primeira escola de samba da cidade, pelo Vai-Vai, onde foi ritmista durante muitos anos e conquistou títulos, e pela Tom Maior, que chama de “escola do coração”. Também atuou como compositor, participou de disputas de samba-enredo e estima ter criado cerca de 45 composições, muitas em parceria com o irmão Fernando Sampaio.
É memória, resistência, alegria e cultura
Para ele, o samba vai muito além da música. É memória, resistência, alegria e cultura. Em suas palavras, o samba transforma dor em celebração e carrega histórias sobre ancestralidade, escravidão, imigração, culinária, geografia e vida brasileira. “Eu ofereço o que eu sou”, afirmou ao explicar por que escolheu manter o samba como sua essência mesmo vivendo nos Estados Unidos.
Em Las Vegas, o desafio foi encontrar músicos com experiência para reproduzir o samba com respeito e qualidade. Ainda assim, Raphael percebeu algo especial: enquanto brasileiros sentem uma alegria carregada de nostalgia, americanos e latinos recebem o ritmo com surpresa e entusiasmo.
Essa experiência ganhou força quando ele se tornou o primeiro mestre de bateria do Carnaval de Las Vegas. Para Raphael, foi uma forma de representar tudo o que aprendeu no Brasil e transmitir conhecimento a novos músicos.
Hoje, ele lidera o Samba Las Vegas, grupo que reúne cantores, percussionistas, dançarinos e diferentes formatos de apresentação. O projeto quer aproximar brasileiros, hispanos e americanos da cultura do samba.
Sua mensagem final é simples: ninguém deve se intimidar. O samba é acolhedor, ensina, transforma e cria comunidade. Quem quiser conhecer o projeto pode procurar o Instagram Samba Las Vegas ou entrar em contato pelo telefone (725) 218-6313.


