lunes, septiembre 14, 2026

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LAS VEGAS NEVADA | AGOSTO 2026 | VOLUMEN 2 | NÚMERO 20

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Autismo, escuta e rede de apoio

Um fardo injusto para as mães

Na seção Somos do Mundo, espaço dedicado à comunidade de língua portuguesa, Fátima Romero recebeu Adriane Garcia Fidelis e Juliana para uma conversa sobre autismo. A proposta do encontro foi unir dois olhares: o conhecimento da psicologia e a experiência diária de uma mãe que acompanha os desafios e as descobertas de uma pessoa autista.

Logo no início, Adriane destacou uma mudança fundamental: hoje o autismo é compreendido como um transtorno do neurodesenvolvimento, não como uma doença a ser curada. Essa visão retira das famílias, especialmente das mães, um peso injusto que por muito tempo recaiu sobre elas. Segundo a entrevistada, não se trata de culpa, mas de uma condição ligada a fatores genéticos, biológicos e ambientais.

No hay dos personas autistas iguales

A ideia de espectro também foi explicada com cuidado. Não existem pessoas autistas iguais. Cada uma tem sua forma de perceber o mundo, seus desafios e suas habilidades. Por isso, mais do que falar em “graus”, a conversa reforçou a importância de pensar em níveis de suporte. Há pessoas que precisam de pouca ajuda para viver com autonomia e outras que necessitam de acompanhamento constante.

Juliana compartilhou a experiência com seu filho, hoje com 19 anos. O diagnóstico veio tarde, aos 11, apesar de sinais presentes desde cedo: ele andou depois dos dois anos, falou depois dos cinco e leu depois dos nove. Ainda assim, sua inteligência nunca esteve comprometida. O hiperfoco no aprendizado fez com que muitos profissionais descartassem o autismo, justamente por associarem, de forma equivocada, autismo à falta de capacidade.

A entrevista também abordou a escola, o mercado de trabalho e os ambientes sociais. Incluir não basta. É preciso preparar espaços, capacitar profissionais e compreender sensibilidades sensoriais, como incômodo com luz forte, barulho, toque, etiquetas ou determinados tecidos. Um fone de ouvido, por exemplo, pode não significar desconexão, mas autorregulação.

A mensagem às famílias foi direta

Não rotular, observar, buscar ajuda e construir uma rede de apoio. Terapia ocupacional, música, fonoaudiologia, psicologia e adaptações adequadas podem abrir caminhos.

Mais do que falar sobre autismo, a conversa mostrou que cada pessoa tem potencial. O papel da família e da sociedade é reconhecer esse potencial, oferecer suporte e amar sem reduzir ninguém a um diagnóstico.




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